domingo, 15 de abril de 2012

mãe desnecessária


EMÃE (DESNECESSÁRIA) - Marcia Neder
>> A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.> Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.> Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas> e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.> Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.> Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.> Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.> Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma> droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.> A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.> A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.> Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.> Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.> O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito> aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.> Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres.> Esse é o maior desafio e a principal missão.> Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.